Reciprocidade

Excelente artigo do Professor Paulo Sérgio Buhrer a respeito da reciprocidade na gestão das relações, principalmente das relações de negócios.

Como é que as empresas melhorarão? Reciprocidade. Como os líderes liderarão? Reciprocidade. Como os colaboradores serão mais comprometidos? Reciprocidade.

Tenho um livro ainda não publicado, que se chama “Gestão por Reciprocidade”. Essa palavra, sob minha ótica, resolveria milhares de problemas empresarias, como numa tacada de mestre o jogador encaçapa todas as bolas.

Certa vez ouvi um empresário dizer: “acredito no poder do capitalismo, mas, depredo o capitalismo selvagem no qual a maior parte das pessoas e empresas consagra. Gosto de conforto, de bens, de posses, mas, desde que tudo isso não se torne o que sou, desde que tudo isso não seja maior do que os valores morais que preservo, desde que eu vivendo no luxo, milhares não vivam no lixo. É inadmissível sabermos que as duzentas pessoas mais ricas do mundo ganham o que mais de dois bilhões de pessoas ganham em um ano. Não dá para falar em igualdade social num sistema de acumulação exorbitante de riquezas”.

Foram muito sábias as palavras desse empresário, que me fez repensar, inclusive, minha missão como consultor e palestrante. Também comungo da ideia dele. Não que eu não goste da riqueza, do conforto, para mim e para minha família. Não é vedado ter regalais, mas, penso que no cenário empresarial, para resolvermos grande parte dos problemas, inclusive sociais, a questão é de reciprocidade.

É injusto mil trabalhadores, darem um duro danado, oito, dez, doze horas diárias, e ganharem, somados, menos que um gerente, um diretor? Muitas variáveis e análises poderão ser feitas a partir deste comentário. Se o gerente ganha o que ganha, por certo, fez por merecer. Estudou, deu ideias, resolveu problemas, reduziu custos, aperfeiçoou a produção, enfim, não é uma questão de mérito, mas de justiça. Para que todas as ideias e soluções que esse gerente tenha dado se concretizasse não fora necessária a aplicação de uma dezena ou centena de homens?

Vivemos no mundo das ideias, mas, pelo que se nota, desde que elas signifiquem ganhar ou gerar mais dinheiro para si mesmo ou para terceiros. Então, o que é valorizado: a Ideia em si, ou o ganho financeiro que ela traz?

Você não vê as pessoas felizes quando alguém dá uma ideia: “Hei, pessoal, vamos nos reunir para taparmos aquele buraco na estrada?”. Porém, é uma grande ideia, que solucionaria o problema de muita gente.

Ouvi também o empresário dizer: “não vejo motivos para que o dono, sócio, acionista de uma empresa ganhe cem, mil, dez mil vezes mais que seus colaboradores. Mas, no capitalismo selvagem, é claro que se ele teve a ideia, a ousadia de começar um empreendimento, a maior, e bem maior, parte dos louros será dele, mesmo que uma centena de pessoas que trabalham para ele não tenha o que comer em casa”.

Percebe-se que o significado das palavras não significa mais a essência, mas sim, os resultados, sobremaneira, financeiro que, aplicadas, elas trazem.

Imagino que, não muito tarde, a reciprocidade irá conduzir os negócios. As pessoas passarão a novamente ser o centro das atenções. Não que o hoje não seja, todavia, o que quero dizer é que elas serão o centro das atenções e estarão no centro dos resultados, participando não só da consecução, mas da distribuição dos ganhos.

Recíproco é o dono da empresa que, ao final do ano, ou, nos meses em que os resultados crescem exponencialmente, premia todas as pessoas da empresa, do zelador ao diretor, com bônus, e não necessariamente pelo cargo que ocupam, mas pela necessidade premente que apresentam. Numa empresa que prestei consultoria e levei a ideia da reciprocidade, o dono dela, ao chegar o final do ano, comprou uma casa para um dos seus colaboradores, que havia casado recentemente. Em vez dos demais ficarem chateados, aplaudiram aquela atitude, pois sabiam que se dedicassem tanto quanto àquela pessoa também seriam premiados, pois os resultados da empresa são recíprocos.

Não se trata de comunismo, socialismo, assistencialismo. Trata-se de reciprocidade, de distribuir a riqueza entre os que dão o melhor de si, participam ativamente dos negócios. Não penso em premiar quem não se importa em crescer na vida, estudar, trabalhar duro e com inteligência. Também não imagino um colaborador ganhando o mesmo que a pessoa que fundou a empresa. Por certo as ideias, a ousadia, o empreendedorismo devem ter seu valor, mas, não com tanta disparidade.

Com a reciprocidade, o líder terá equipes também recíprocas. O comprometimento e a motivação aflorarão. Sem adentrar no campo político, mas imagino que problemas como a violência também seriam reduzidos, haja vista que é inegável que a falta de recursos para muitos gera danos indeléveis à sociedade.

Com a reciprocidade, o proprietário deixará de ser escravo da profissão e não escravizará muitos gerentes, diretores, que ganham muito, mas aproveitam quase nada do que conquistam. Com a reciprocidade, a qualidade de vida saltaria para patamares extraordinários.

Será necessária uma mudança cultural, tanto dos colaboradores como dos empresários para que a reciprocidade seja implantada. Contudo, é possível que ela torne-se obrigatória para que os negócios tenham sucesso e possibilitem o sucesso de muitos.

Pense nisso!

Atenciosamente,

Professor Paulo Sérgio Buhrer

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