A abrangência da liderança empática

A empatia alimenta-se da autoconsciência; quanto mais abertos estamos para nossas emoções, mais hábeis seremos na leitura de sentimentos. (Daniel Goleman)

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Estamos no terceiro mês de 2010 e acredito que os planos de muitas pessoas são: trocar de carro, reformar a casa ou guardar dinheiro para as próximas férias. Porém, imagino que poucas pessoas se perguntaram sobre o que fazer para sustentar as relações, tanto familiares quanto organizacionais. Convido o leitor a transformar 2010 no ano da empatia. Que tal?

A abrangência desta competência emocional é ampla. Ela pode ser veiculada em nossas vivências mais íntimas (família), ou nas profissionais, isto é, na relação constante entre líderes e colaboradores.

Sendo assim, minhas palavras aqui não se destinam somente aos líderes, mas também aos pais, aos estudantes de administração, aos professores de cursos de gestão de pessoas e interessados em promover um comportamento saudável de comunicação e sustentabilidade.

Acredito que uma empresa se torna sustentável pelo poder de comunicação que ela é capaz de exercer com seus funcionários e com a sociedade. Ao pensar na abrangência do conceito de empatia, surge a hipótese de que uma ação por parte do leitor também deve ser iniciada após se familiarizar com o tema.

O que quero dizer com isso? Muito se fala no poder da prática. Mas se não tomarmos consciência de que ela deve partir de cada um, o conceito nunca poderá ser aplicado em toda sua eficácia. Vivemos em momentos de urgência. Se no século XX, quando as pesquisas sobre o perigo do gás CFC foram divulgadas tivessem causado a ação de muitas pessoas, não estaríamos sofrendo com o aquecimento global nas escalas atuais. Mas isto não é culpa apenas do CFC, mas sim de várias outras situações poluentes.

Mas voltemos à empatia. Sempre que um conceito surge, devemos ponderar sua possibilidade de benefício comum. Foi o que aconteceu com Platão e suas ideias sendo retomadas no decorrer de toda a história. Sendo a empatia um conceito, ela clama urgentemente por aplicação.

A abrangência do conceito é ampla por natureza; visa tocar as pessoas e mostrar que sustentar as relações, bem como sustentar a natureza é um processo a longo prazo, em tempo integral. Para a empatia, não existe aquela história de “amanhã ainda dá tempo”.

Em 2009 comecei a escrever um livro. Uma de suas ideias centrais mostra o seguinte: após o processo de entender o que é empatia, surge o momento de agir, de iniciar ações específicas e exercer os elementos pertinentes ao conceito. Ou seja, ações como ouvir, não julgar sem conhecer, ser sincero, sentir o que os outros sentem, perceber suas dificuldades, estar aberto para ajudar e receber o diferente com muito entusiasmo são atividades pertinentes ao assunto, segundo mostro no decorrer da obra.

Quanto mais vezes divulgarmos as ações acima, mais o conceito pode ser espalhado e envolver pessoas. A abrangência da empatia depende, antes de mais ninguém, de você, caro leitor. Em suma, a abrangência de qualquer ação positiva depende de todos os envolvidos. Esperar pelos outros para agir será sempre o pior remédio. Vamos tomar 2010 nas mãos e dar sustentabilidade às relações com a empatia!

Minoru Ueda (Professor da Fundação Instituto de Administração (FIA-USP). Docente e consultor pelo SENAC. Um dos criadores da Metodologia Impacto de Transformação Humana (MITH). Coautor no livro “Ser Mais Líder” (editora SerMais, 2010). Palestrante no tema Inteligência Emocional na FEA-USP. Orientador no Programa de Mentoring – projeto da Associação dos Engenheiros Politécnicos (AEP) em parceria com a POLI-USP e desenvolvido pela FEA-USP. É conferencista na área comportamental.)

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